domingo, 2 de outubro de 2011

Soneto


Tenho saudade dos olhos onipresentes
Do baile que descreve teu nariz intrometido
De teus dentes iconoclastas, irreverentes
E de tua voz que, à mera lembrança, destroe os sentidos

Sinto saudades de tua psiqué e de teu sexo
De tuas manhãs que, à noite, descortinavas
De nossa fraternidade e de nosso incesto
Saudade de tua doce ironia de rosa e clava

Tenho saudade de tudo que não quis
Temendo a própria saudade e o sofrimento
E muitíssimas saudades do que estou prestes

A fazer para dar teu castanho a minh'alma griz
Saudades das nossas imperfeições do firmamento
Saudade, em suma, de tudo que não me deste

3 comentários:

  1. Amei este soneto, os que falam de saudade para mim são os melhores.

    ResponderExcluir
  2. Esta união ilícita de alma saudosa e de lembranças mil é linda.

    ResponderExcluir