sábado, 24 de setembro de 2011

Plabo Neruda

Áspero amor, violeta coroada de espinhos,
cipoal entre tantas paixões eriçado,
lança das dores, corola de cólera,
por que caminhos e como te dirigiste a minha alma?

Por que precipitaste teu fogo doloroso,
de repente, entre folhas frias de meu caminho?
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram?
Que flor, que pedra, que fumaça, mostraram minha morada?

O certo é que tremeu a noite pavarosa,
a aurora encheu todas as taças com seu vinho
e o sol estabeleceu sua presença celeste,

enquanto o cruel amor sem trégua me cercava,
até que, lacerando-me com espadas e espinhos,
abriu no coração um caminho queimante.

Soneto III, Cem sontetos de amor

1 comentários:

  1. Eu sinto falta de textos alegres aqui :) Tu escreves tão bem e conheces poemas tão lindos, que tal uma variada no conteúdo?

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