domingo, 8 de novembro de 2009

Ruído

Talvez motos, gritos,carros
uivos, gemidos, risos.
Talvez tosse, espirro, escarro
portas, portões e guizos.

Talvez a queda, o atropelamento
Talvez o gato atropelado morrendo
Talvez o choro, tristeza, tormento
ou apenas a janela batendo.

Talvez o vento, a fúria, o mar
Talvez o mar, pelo vento, quebrado
Talvez o tapa, o susto, o hesitar
ou ainda o beijo estalado.

Talvez o latir, o bramir, o rugir
Quem sabe os fogos de fim de ano
Mas só queria mesmo era ouvir
a melodia de Caetano.

O cego

E era a vida
E era a lama
E era a cinza
E era a vida que encombriam
seus olhos.

E era a mosca
E era a cruz
E o discurso
que lhe calavam a voz.

E era ao cão
E era a sombra
E E era a sombra de um cão
que o perseguia.

E era a chaga
E era o silêncio
E era a agonia
E era a chaga que o acometia.

E era a morte
E era a apatia
E era o descanso
E era o balanço
ao fim do dia.

Último adeus

Fala qualquer coisa de amor pra mim
Fala que tua voz é doce.
Não esperava ouvir hoje teu "sim"
me desse um silêncio que fosse.

Mas como deixar tuas mãos inerentes
as minhas, tão trôpegas e insanas?
Como deixar se por, esse Sol nascente
que fez de sagrada minha existência profana?

Andando essa noite, a te procurar
levando pelas mãos uma lua cativa
só o que esperava ter ao voltar
eram os meus lábios úmidos de tua saliva.

Andando essa noite, a te procurar
ia de esperanças infestado
pensando, em teu corpo poder mergulhar
e volto com este olhar, de lágrimas, pesado.