skip to main |
skip to sidebar
Oh, Deus!
Como queria que o vento
Levasse este pensamento
Pro escuro eco dos breus.
Só consigo ver
As rosas no meu rosto
No meu "lar" escuro e roto,
Moradia do meu perecer.
Sinto-me fenecer
Como o Rei que cai
A vida que se esvai
Do meu hediondo ser.
Minha alma
Escorre pelas mãos
Num caminhar sem chão
Para uma morte alva.
Busco um abrigo
Na claridade do camafeu
Sabendo que sou Eu,
O autor do perigo.
Sou algoz
No escuro desta manhã,
Desta alma já não sã
De destino tão atroz.
Caminha largo e profundo
por sobre os dias, esperando
a sexta-feira.
Passou a segunda-feira
fria, escaldante
Sei lá!
Veio a terça-feira
doce e amável, tenebrosa
Sei lá!
Entra pela quarta-feira
sonolenta, turbulenta
Sei lá!
Mesmo a quinta-feira
véspera dos sonhos
Sei lá!
Enfim sexta-feira
perdi meus passos nas nuvens
a sexta passou
cinza, azul
Sei lá!
E somos cobaias da inscipiência
Farejando porquês
Sem encontrar a razão.
Inventando a cada manhã
Novas formas de suicídio.
Fazendo, de poesia, cinzas
Gerando a prole
do lixo.
Enquanto os versos cabralinos
Vagam com os dejetos,
Homens e porcos caminham
Para o mesmo lado
Que é canto nenhum.
Num abraço eterno a um cão
Sarnento
A colmeia falida e
De cheiro podre
Ver caminharem, seus primatas de calça
A quem a poesia não salvará
Parasitas da luz do Sol.